O que é a medição de obra?
É o procedimento de verificar, em datas combinadas, quanto de cada serviço foi executado e converter isso em valor a pagar. Em vez de pagar tudo no início ou no fim, o contrato divide o pagamento em períodos (a medição mensal é comum) proporcionais ao que foi feito.
O Código Civil prevê a ideia no contrato de empreitada: quando a obra se compõe de partes distintas ou é de natureza que se determina por medida, o empreiteiro tem direito a que ela seja verificada por medida, ou segundo as partes em que se dividir, podendo exigir o pagamento na proporção da obra executada (art. 614). Os detalhes práticos, como periodicidade, critérios e retenção, dependem do que o contrato estabelecer.
Para que serve a medição?
- Dar ao empreiteiro ou ao escritório fluxo de caixa proporcional ao trabalho feito.
- Dar ao cliente a segurança de pagar apenas pelo que foi executado.
- Detectar cedo atraso e desvio: o realizado é comparado com o previsto no cronograma.
- Documentar o avanço, criando um histórico que evita divergência no fim da obra.
Como fazer a medição passo a passo?
- Parta de uma lista de serviços com valor contratado para cada um, na mesma estrutura do cronograma.
- Defina o período e a data de corte da medição, combinados em contrato.
- Para cada serviço, estime o percentual executado no período e o acumulado, por quantidade medida (m², m³, unidades) sempre que possível.
- Calcule o valor do período: percentual executado × valor do serviço, menos o que já foi medido antes.
- Reúna as evidências: fotos datadas, registros do diário de obra, resultado de visita técnica.
- Apresente a medição ao cliente ou à fiscalização para conferência e aprovação.
- Emita a cobrança com base no valor aprovado e registre a medição no financeiro.
Como fica uma medição na prática?
Exemplo hipotético, em unidades arbitrárias. Uma obra tem três serviços contratados: alvenaria (valor 40), instalações (valor 35) e revestimentos (valor 25), somando 100. No fim do primeiro período, a alvenaria está 50% executada, as instalações 20% e os revestimentos 0%.
- Alvenaria: 50% × 40 = 20.
- Instalações: 20% × 35 = 7.
- Revestimentos: 0% × 25 = 0.
- Total medido no período: 27, ou 27% da obra.
No segundo período, a alvenaria chega a 100% e as instalações a 60%. O acumulado da alvenaria é 40 e, como 20 já foi medido, o valor do período é 20. Nas instalações, 60% × 35 = 21 acumulado, menos 7 já medidos, resulta em 14. Se o contrato prevê retenção de 5% sobre cada medição, o valor a pagar no segundo período é (20 + 14) menos 5% = 32,3, e 1,7 fica retido até o fim da obra ou até a condição prevista.
O que considerar ao cobrar por etapa concluída?
Percentual executado
Meça, de preferência, por quantidade real e não por impressão. Percentual "de olho" é a principal fonte de discussão.
Evidências
Fotos datadas e registros do diário de obra sustentam o percentual. Sem evidência, a medição vira opinião.
Aprovação do cliente
A medição aprovada, por escrito, é o que libera a cobrança. Defina no contrato o prazo para o cliente conferir.
Retenção
Se o contrato prevê retenção, aplique-a em cada medição e registre o saldo retido até a condição de liberação.
O Código Civil também trata do que ocorre depois da medição: o que foi medido presume-se verificado se, em trinta dias, a contar da medição, o dono da obra ou quem a fiscaliza não denunciar vícios ou defeitos (art. 614, § 2º). Por isso vale registrar a data de cada medição e a entrega ao cliente.
O contrato é o documento que manda: critérios, periodicidade, retenção e prazo de conferência devem estar escritos nele. Em caso de dúvida, consulte um advogado.
Como ligar a medição ao diário de obra e ao cronograma?
O cronograma diz o que deveria estar pronto; o diário de obra registra o que foi feito; a medição transforma isso em valor. Se os três usam a mesma lista de serviços, a medição sai quase pronta: o avanço do cronograma dá o percentual, o diário e as fotos dão a evidência e o contrato dá o valor.
Guia: o que registrar no diário de obraGuia: como montar o cronograma de obraQuais são os erros mais comuns nas medições?
- Medir por impressão, sem quantidade nem foto.
- Lista de serviços diferente da do cronograma, o que impede comparar previsto e realizado.
- Não registrar o acumulado e cobrar duas vezes o mesmo serviço, ou deixar de cobrar.
- Aprovação verbal, sem registro.
- Esquecer a retenção prevista em contrato.
- Misturar medição de serviço contratado com serviço extra, que deveria entrar por aditivo.
- Deixar de medir por vários períodos e acumular uma discussão grande no fim da obra.
O que o Zenial oferece para a medição de obra?
O Zenial não tem, hoje, um módulo dedicado de planilha de medição com retenção. O que ele oferece são as pontas que alimentam e acompanham a medição: o cronograma com a Curva S, que compara o avanço previsto com o realizado; o diário de obra com fotos e ocorrências registradas no celular; o financeiro por projeto, com parcelas e recebíveis do contrato e a conciliação com o extrato; e o portal do cliente, onde ele acompanha o andamento e aprova etapas. Os apontamentos de visita que mudam escopo podem virar um termo aditivo em rascunho.
Cronograma em Gantt e Curva SFinanceiro por projetoZenial para engenharia e obras