O que é a Curva S de uma obra?
É um gráfico em que o eixo horizontal é o tempo e o vertical é o avanço acumulado, de 0 a 100%. Costuma ter duas linhas: a do avanço planejado, calculada a partir do cronograma, e a do avanço realizado, atualizada com o que foi executado. A distância entre as duas mostra o desvio da obra.
O nome vem do formato que a curva costuma ter quando a obra começa devagar, acelera no meio e desacelera no fim. Esse formato não é uma regra: obras com muitas frentes simultâneas desde o início, ou com um grande serviço concentrado, podem ter curvas diferentes. O que importa é a comparação entre planejado e realizado.
Para que serve a Curva S?
- Ver, num único gráfico, se a obra como um todo está adiantada ou atrasada.
- Antecipar problemas: o desvio aparece na curva antes de aparecer na data final.
- Conversar com o cliente com um número e uma imagem, em vez de impressões.
- Comparar o avanço físico com o financeiro, para saber se o dinheiro acompanha a obra.
- Registrar o histórico do ritmo da obra, útil para planejar as próximas.
Como montar a curva do planejado?
- Liste as atividades ou pacotes de trabalho, na mesma estrutura do cronograma.
- Atribua um peso a cada uma. O peso pode ser o seu valor no orçamento (percentual do total) ou, na falta dele, uma estimativa de esforço. A soma dos pesos deve ser 100%.
- Para cada atividade, defina início e fim no cronograma.
- Distribua o peso da atividade pelos meses em que ela acontece, proporcionalmente à duração em cada mês.
- Some, mês a mês, o que foi distribuído e acumule: o resultado é o avanço planejado acumulado.
O peso é a decisão que mais pesa. Uma atividade barata e longa, como a limpeza da obra, não deveria valer mais que uma estrutura cara. Por isso, sempre que possível, use o orçamento como base dos pesos.
Como fica um exemplo numérico?
Exemplo hipotético, em percentual do total. Uma obra de quatro meses tem três atividades: estrutura (peso 40, mês 1 e 2), instalações (peso 35, mês 2 e 3) e acabamentos (peso 25, mês 3 e 4). Distribuindo cada peso igualmente entre os dois meses em que a atividade acontece:
- Mês 1: estrutura 20 → 20.
- Mês 2: estrutura 20 + instalações 17,5 → 37,5.
- Mês 3: instalações 17,5 + acabamentos 12,5 → 30.
- Mês 4: acabamentos 12,5 → 12,5.
- Planejado acumulado: 20, 57,5, 87,5 e 100.
Se, no fim do mês 2, o realizado acumulado for 45%, a obra entregou 45 contra 57,5 planejados, ou seja, está 12,5 pontos percentuais atrasada.
Como acompanhar o realizado?
Em cada data de corte, estime o percentual executado de cada atividade e multiplique pelo peso dela. A soma é o avanço realizado acumulado. A qualidade da curva depende da qualidade dessa estimativa: meça por quantidade (m², m³, unidades) quando possível e apoie-se em fotos e no diário de obra.
- Use sempre a mesma data de corte e o mesmo critério de medição.
- Não conte como feito o que está pela metade sem um critério combinado, como "só conta quando passa na conferência".
- Registre a justificativa dos desvios: chuva, falta de material, aprovação do cliente, mudança de escopo.
Como ler atraso e adiantamento na curva?
- Realizado abaixo do planejado: atraso. A distância vertical entre as linhas é o atraso em pontos percentuais naquela data.
- Realizado acima do planejado: adiantamento, que pode ser bom ou sinal de que algo foi feito fora de ordem.
- Linhas paralelas: o desvio se manteve; o ritmo está igual ao planejado.
- Distância crescente: o ritmo da obra está menor que o planejado e o atraso tende a aumentar.
- Realizado reto por semanas: obra parada; procure o motivo no diário.
A curva mostra o quanto, mas não o porquê. Para descobrir a causa, volte ao cronograma e olhe as atividades críticas e os registros do diário de obra.
Como a Curva S se liga a SPI e CPI?
Os índices de valor agregado transformam o desvio da curva em um número. O SPI divide o que foi realizado pelo que estava planejado até a data (abaixo de 1, atraso) e o CPI compara o que foi realizado com o que foi gasto (abaixo de 1, custo acima do esperado). No exemplo acima, 45 realizados contra 57,5 planejados dá um SPI de cerca de 0,78.
Guia: cronograma de obra, com SPI, CPI e EAC explicadosQuais são os erros mais comuns ao usar a Curva S?
- Pesos iguais para atividades muito diferentes, que distorcem a curva.
- Cronograma sem dependências, que gera uma curva irreal.
- Atualizar o realizado com atraso ou de forma irregular.
- Medir o percentual por impressão, sem quantidade nem foto.
- Alterar o planejado a cada desvio, perdendo a referência; para isso existe a linha de base.
- Olhar só a curva e esquecer o caminho crítico, que é onde um atraso muda a data final.
O que o Zenial oferece para a Curva S?
O Zenial tem a Curva S financeira, na aba de evolução no tempo do financeiro: ela compara, mês a mês, os recebimentos previstos (por vencimento) com os realizados (por data de pagamento). O cronograma em Gantt mostra o caminho crítico, a carga da equipe e os indicadores de prazo, mas não há hoje uma Curva S de avanço físico dos projetos. O Zenial também não calcula SPI, CPI e EAC a partir dos dados dos seus projetos: use as fórmulas do guia de cronograma de obra em uma planilha, a partir do avanço e do custo que você acompanha.
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