Quais são as formas de cobrar um projeto de arquitetura?
Há três métodos principais, e eles podem ser combinados. Também é comum cobrar por hora em consultorias pontuais e cobrar à parte o acompanhamento de obra.
Por metro quadrado
Um valor por m² de área projetada, multiplicado pela área total.
Por etapa do projeto
Um valor para cada fase entregue, como estudo preliminar, anteprojeto, projeto legal e projeto executivo.
Por percentual da obra
Um percentual sobre o custo estimado (ou realizado) da construção ou reforma.
Por hora
Horas efetivamente trabalhadas, mais usado em consultorias e serviços de escopo aberto.
Antes de escolher o método: quanto custa a hora do seu escritório?
Todo método de cobrança é, no fundo, uma forma de apresentar ao cliente um valor que precisa cobrir as horas que o projeto consome. Se o escritório não sabe quanto custa uma hora de trabalho, qualquer preço por m² ou percentual é um palpite.
- Some os custos mensais do escritório: aluguel, softwares, contador, internet, equipamentos, salários e o pró-labore de quem é dono.
- Estime as horas produtivas do mês, ou seja, as horas de fato dedicadas a projetos (reuniões comerciais, administração e deslocamentos não entram).
- Divida os custos pelas horas produtivas: esse é o custo da sua hora.
- Estime quantas horas o projeto vai exigir, etapa por etapa, com base em projetos parecidos que você já fez.
- Multiplique, acrescente os impostos que incidem sobre a nota e a margem de lucro desejada.
O resultado é o valor mínimo para o projeto não dar prejuízo. A partir daí, o método escolhido serve para apresentar esse valor de um jeito que o cliente entenda e aceite. Por isso registrar as horas gastas em cada projeto é tão importante: elas corrigem as estimativas dos próximos orçamentos.
Veja o resultado de cada projeto no ZenialComo funciona a cobrança por metro quadrado?
O escritório define um valor por m² e multiplica pela área a ser projetada. É o método mais fácil de comunicar e de comparar, e por isso o mais pedido pelos clientes. O valor por m² costuma variar com o tipo de projeto (residencial, comercial, interiores), com a complexidade e com o nível de detalhamento entregue.
Prós
Simples de explicar e de orçar rapidamente; o cliente entende de imediato como o preço foi formado; facilita comparar projetos parecidos.
Contras
Ignora a complexidade: um banheiro pequeno pode dar mais trabalho do que uma sala grande. Projetos pequenos tendem a ficar subvalorizados, e o cliente passa a comparar seu preço com o de outros escritórios só pelo número do m².
Para reduzir os riscos, vale ter um valor mínimo de projeto e faixas de m² diferentes conforme a complexidade dos ambientes.
Como funciona a cobrança por etapa do projeto?
O projeto é dividido em fases, e cada uma tem preço, entregáveis e prazo próprios. Uma divisão comum é estudo preliminar, anteprojeto, projeto legal e projeto executivo, com o acompanhamento de obra à parte. O pagamento acompanha a entrega: o cliente paga cada fase quando ela é concluída ou no início dela, conforme o contrato.
Prós
O pagamento acompanha o trabalho entregue; o cliente pode contratar só as primeiras fases e seguir depois; deixa claro o que está incluído em cada fase, o que ajuda a tratar pedidos fora do escopo.
Contras
Exige descrever bem cada fase, com entregáveis, limites e critérios de aceite; se o cliente desistir no meio, o escritório recebe só pelo que foi entregue; cada fase precisa de aprovação formal para seguir.
Como funciona a cobrança por percentual da obra?
O honorário é um percentual sobre o custo da obra, estimado no início ou recalculado com o custo realizado. É um método que acompanha o porte do trabalho: obras maiores e mais caras costumam exigir mais do projeto.
Prós
Acompanha o tamanho e o padrão da obra; é comum em projetos com acompanhamento ou gerenciamento de obra, em que o trabalho do escritório cresce junto com a construção.
Contras
Depende de uma estimativa de custo que muda ao longo do projeto; o cliente pode achar que o escritório tem interesse em encarecer a obra; se a obra não sair do papel, é preciso ter definido como o projeto será pago.
Se escolher este método, deixe claro no contrato qual custo é a base do cálculo (estimado ou realizado), o que entra nele e o que acontece se a obra for adiada ou cancelada.
Dá para combinar os métodos?
Dá, e é o mais comum. Um formato frequente é calcular o valor total por m² ou pelas horas estimadas e dividir o pagamento por etapa. Outro é cobrar o projeto por etapa e o acompanhamento de obra por visita, por mês ou por percentual da execução. O que importa é que o cliente entenda como o valor foi formado e o que acontece quando o escopo muda.
Perguntar no briefing qual forma de pagamento o cliente prefere (à vista, parcelado por fase, mensalidade fixa ou percentual sobre a execução) ajuda a montar uma proposta que já nasce próxima do que ele espera.
Modelo de briefing de arquiteturaO que é a tabela de honorários do CAU?
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) publica as Tabelas de Honorários de Serviços de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, organizadas em módulos. O Módulo I, de remuneração do projeto arquitetônico de edificações, foi aprovado pela Resolução CAU/BR nº 64, de 2013; os módulos seguintes, pela Resolução CAU/BR nº 76, de 2014.
A metodologia combina várias tabelas e fórmulas. Entre os fatores considerados estão a categoria da edificação, definida pela tipologia, e o CUB correspondente. A própria Lei 12.378/2010, que criou o CAU, fala em tabelas indicativas de honorários (art. 28, XIV): são uma referência para orçar com critério e para justificar o valor ao cliente. As resoluções e a calculadora de honorários estão no site do CAU/BR, e o CAU do seu estado pode orientar sobre a aplicação no seu caso.
O que é o CUB e por que ele aparece no cálculo?
O CUB/m² (Custo Unitário Básico) é o custo por metro quadrado de construção de projetos-padrão, criado pela Lei 4.591/1964, a lei de incorporações. A metodologia de cálculo está na norma ABNT NBR 12721, e os sindicatos da construção civil de cada estado (Sinduscons) divulgam os valores todo mês, para vários padrões de residência, de edifício comercial e de galpão.
O CUB é uma referência, não o custo real de uma obra: ele não inclui itens como fundações especiais, elevadores, projetos, mobiliário e paisagismo, e varia por estado, mês e padrão. Ele aparece na conversa sobre honorários porque serve de base para estimar o custo de construção, que por sua vez entra na tabela do CAU e na cobrança por percentual da obra. Para usar um valor, consulte sempre a publicação mais recente do Sinduscon do seu estado.
Como apresentar o preço na proposta?
- Divida o trabalho em fases e descreva, em cada uma, os entregáveis, os limites e os critérios de aceite.
- Mostre o cronograma de pagamento e as formas aceitas.
- Diga o que não está incluído, como projetos complementares, taxas de prefeitura e acompanhamento de obra, quando forem cobrados à parte.
- Defina quantas revisões estão incluídas em cada fase.
- Explique como mudanças de escopo serão tratadas: por termo aditivo, com novo prazo e novo valor.
- Coloque uma validade na proposta.
Uma proposta assim protege as duas partes: o cliente sabe o que está comprando e o escritório tem onde se apoiar quando o pedido sair do combinado.
Propostas por fases e contratos no ZenialGuia: modelo de proposta de arquiteturaComo saber se o preço cobrado deu lucro?
Só comparando o que foi cobrado com o que foi gasto. Isso exige registrar as horas da equipe em cada projeto e lançar as despesas no projeto a que pertencem. Depois de alguns projetos, fica claro quais tipos de trabalho dão lucro, quais etapas sempre consomem mais horas do que o previsto e onde o preço precisa subir.
Zenial para escritórios de arquitetura